Motoboys são deveras muito úteis. Indispensáveis pra ser mais exato; nesta cidade lixo. São um subproduto útil da loucura em que transformaram esse lugar.
Um lugar que dita ‘emergência’ pra tudo, onde tudo tem que ser rápido pra ser eficiente. Então, num lugar com mais de 5 milhões de veículos em que um simples chuvisco tem o poder de um furacão – surgem os ditos cujos.
Os tais são úteis pra te dar alguma dose de comodidade, ou melhor – doses de coisas absolutamente naturais – mas que seriam inviáveis em cidades como essa.
Úteis, pois me desobrigam ir ao banco para receber um talão de cheques. Úteis porque me deixam no sofá, vendo um jogo qualquer, enquanto trazem a pizza, a esfiha, o kibe, a empada, o refrigerante, a cerveja, ou seja lá o que for.
Úteis, pois trazem meus eletrônicos, comprados virtualmente, pra dentro de casa.
Quanto tempo e energia eu perderia não fossem estes seres com duas rodas.
Enfim, os motoboys fazem parte deste caos de cidade, tentando torná-lo mais viável ao mesmo tempo em que o legitima.
Motoboys são tão necessários quanto também um sinal de que nada está bem.
