domingo, 17 de junho de 2007

Referências

Ontem, conversando com amigos, uma frase interessante atravessou o ar: "o Rio é uma enorme favela... eles (os cariocas) tem orgulho daquilo".

Torci o nariz.

Isso me intrigou.


Afinal de contas, dou toda a razão para os felizes cariocas.

(você, paulistano, que nunca foi ao Rio, esqueça. Me desculpe mas sua opinião não importa. Tem que ter estado lá, pelo menos uma vez, num dia qualquer, numa hora qualquer, numa praia qualquer - comprando pão numa padaria em Copacabana, passeando pelas ruas de Ipanema, vendo um pôr-do-sol no Arpoador, rachando a cuca, ao meio-dia, na Barra ou mesmo perdido em algum canto da Tijuca, da Vila Isabel ou do Engenho de Dentro, na baixada fluminense).

Os cariocas, espertos - mas também inteligentes, sabem melhor que qualquer um que existem muitos lugares por aí mais desenvolvidos, mais luxuosos, mais glamourosos, mais modernos e mais elegantes do que o Rio, etc, etc...

Mas também sabem, por EXPERIÊNCIA e VIVÊNCIA, que não há no mundo nenhum canto mais rico, mais lindo, mais prazeroso e - desculpe o clichê - mais MARAVILHOSO.



E olha, morar numa cidade que é conhecida mundo afora por seus 'morros' e 'baixadas' de terror, guerra civil e governo paralelo e sua zona-sul-maravilha onde olha-se para o mar de olho na carteira; apenas faz reafirmar a força que tem esse lugar - onde, apesar das péssimas referências, o cidadão que pisa naquelas areias gosta e sente-se bem ali.


E não é por menos que Fernanda Abreu canta que "o Rio é o melhor e o pior do Brasil..."

Eu, que não conheço, ainda, outro canto do mundo onde os nativos não sejam brasileiros, reafirmo isso - pois isso é como dois mais dois: não carece revisão.

Quanto ao pior do Brasil - discordo. Tem muita concorrência por aí.



Pôr-do-sol em Ipanema no longínquo janeiro de 2006: faz falta.