sábado, 12 de maio de 2007

Música e o fator 'cabelos brancos'

Muitos dos meus pares, pessoal da minha geração, gente que nasceu no fim da década de 60 e começo da de 70, tem o hábito, salutar ou não, de ser fiel ás suas origens musicais.

Muito se fala em Doors, América, Rolling Stones, disco music, a onda new wave, punk, break e heavy metal. Isso sem falar nas baladonas anos 70 e 80 que hoje só dão as caras nas Antenas 1, Alphas e outras FMs para titios da vida.

A coisa é que durante o passar dos anos não perdi o costume de me atualizar, procurar coisas novas, estar aberto para novos sons, novas bandas.

Aí é que a pulga salta para atrás da minha orelha.

Me apanho, com alguma frequência, cantando no chuveiro, cantarolando com meu mp3 ou mesmo assistindo - empolgadamente - ao vivo shows de bandas com guitarristas, vocalistas, baixistas e bateristas mais jovens do que eu.

É estranho.

Dia desses falei sobre a estranheza de gostar muito do som dos rapazes do Mombojó e falar com os tais, frente à frente, e perceber que são garotos, quase pirralhos.

Ontem troquei dois emails com o Zeca Camargo (não é esnobice, apenas uma possibilidade destas novas tecnologias) sobre o assunto.

Me falou sobre a sensação incômoda de entrevistar os rapazes do 'Arctic Monkeys' - atuais fenômenos do rock inglês.

Talvez essa estranheza seja simplesmente o receio de parecer imaturo.

Mas, fazer o quê, se essa molecada (a minoria, é verdade) continua fazendo música de qualidade apesar de mal terem saído das fraldas.

Um paradoxo disso tudo chama-se Travis. Mais uma banda de jovens rapazes escoceses.

Mas aqui o som não é o rock rasgado, como o de Franz Ferdinand, ao menos não mais.

É balada atrás de balada.

Banjo, violões e guitarras redondinhas. Melodiosas... quase meladas.

Um som sensível, melancólico e jovem que quase serve para quem ouviu muito.... digamos....

os Eagles(!), por exemplo.


São o avesso desse papo chato.

Killers, Klaxons, os tais Franz Ferdinand, Fratellis, Kasabian e tantos outros são bem audíveis.

Mas Travis, Doves, Keane, Coldplay e Oasis fazem a ponte ideal com o passado. Falo de Echo, Simple Minds, Duran Duran, Smiths, Cure e adjacências.

E assim não há prisão com o passado.

Nem com o presente.

Melhor que seja assim.



No post anterior - link para o último trabalho do Travis. Agradavelmente o mais 'careta' de todos.