segunda-feira, 14 de maio de 2007

O que faz a gente gostar de uma música?

Deve ter algo haver com as sensações despertadas pelo que se passou, de bom ou ruim, em algum lugar.

Cheiros, sons, imagens... a composição disso tudo associado a uma música.

Depois de algumas semanas, meses ou mesmo anos, você escuta a mesma música, ou mesmo algum acorde ou tom que lembre a tal música e... bingo!

Algo desperta e você diz: “Essa música é muito boa!”.


Somente num segundo momento talvez se perceba as qualidades ‘reais’ ou técnicas de uma boa melodia (ou a falta disto).


Pode ser por isso que se diga ‘gosto não se discute’:


Estas sensações, a maneira e o momento de se percebê-las são intrinsecamente individuais.

Aqueles pelinhos no braço que se arrepiam quando se escuta determinado acorde ou batida, é só seu.




É por essa e outras que gosto de Everything But The Girl.



É porque em dezembro de 1996 minhas coordenadas geográficas eram as mesmas que as de dois amigos, um do meu bairro, o outro de Londres, e também as mesmas de um Fiat Uno com dois recrutas do exército – passando por uma estrada costeira, junto às praias quase desertas ao sul de Ilhéus, no litoral baiano.

Os dois estavam levando o automóvel para o Rio de Janeiro.

Nós três - apenas de carona nos divertindo por aquelas latitudes.


O som que tocava no automóvel era ‘Missing’, do Everything But The Girl.

Lembro bem que a conjunção daquela música e daquela paisagem me deixou acima do chão.

Era uma luz forte, de verão, entrecortada por sombras de coqueiros, à medida que o carro passava.

Do outro lado, era o quase total ofuscamento pelo brilho da areia e as pontadas de mais luz refletidas pelo mar.

São coisinhas rápidas, mas ficam para sempre.