Deve ter algo haver com as sensações despertadas pelo que se passou, de bom ou ruim, em algum lugar.
Cheiros, sons, imagens... a composição disso tudo associado a uma música.
Depois de algumas semanas, meses ou mesmo anos, você escuta a mesma música, ou mesmo algum acorde ou tom que lembre a tal música e... bingo!
Algo desperta e você diz: “Essa música é muito boa!”.
Somente num segundo momento talvez se perceba as qualidades ‘reais’ ou técnicas de uma boa melodia (ou a falta disto).
Pode ser por isso que se diga ‘gosto não se discute’:
Estas sensações, a maneira e o momento de se percebê-las são intrinsecamente individuais.
Aqueles pelinhos no braço que se arrepiam quando se escuta determinado acorde ou batida, é só seu.
É por essa e outras que gosto de Everything But The Girl.
É porque em dezembro de 1996 minhas coordenadas geográficas eram as mesmas que as de dois amigos, um do meu bairro, o outro de Londres, e também as mesmas de um Fiat Uno com dois recrutas do exército – passando por uma estrada costeira, junto às praias quase desertas ao sul de Ilhéus, no litoral baiano.
Os dois estavam levando o automóvel para o Rio de Janeiro.
Nós três - apenas de carona nos divertindo por aquelas latitudes.
O som que tocava no automóvel era ‘Missing’, do Everything But The Girl.
Lembro bem que a conjunção daquela música e daquela paisagem me deixou acima do chão.
Era uma luz forte, de verão, entrecortada por sombras de coqueiros, à medida que o carro passava.
Do outro lado, era o quase total ofuscamento pelo brilho da areia e as pontadas de mais luz refletidas pelo mar.
São coisinhas rápidas, mas ficam para sempre.
