Muito barulho desnecessário, esse do celular em sala de aula.
Para mim, sempre foi muito claro.
Não dá para negar a tecnologia.
Banir o uso, a posse ou 'criminalizar' o simples ato de falar ao telefone ou ouvir uma música é uma forma de estrabismo educacional.
A discussão não é essa.
A maioria de meus pares - professores e educadores - parecem não se dar conta disso.
Seria um resquício de tempos ditatoriais?
Essa situação de banimento, negação e punição afloram facilmente em situações assim - de encontro com o novo.
Novo que que surge em intervalos cada vez menores.
Tecnologias que até há pouco tempo atrás demoravam alguns bons pares de anos para serem superadas e substituídas, hoje tornam-se 'obsoletas' em questão de meses.
O comportamento social - principalmente o do adolescente - tenta acompanhar este rítmo de intensa mudança, gosto pelo novo e pelas novas possibilidades; muitas delas tão prazeirosas e práticas quanto fugazes.
Acredito que esta suposta vantagem e facilidade juvenil, em acompanhar as tais mudanças, cobrará seu preço na forma de algum stress ou incapacidade presente e futura, seja na dificuldade de concentração, de planejamento ou de concretização do que quer que seja.
Mas, voltando ao assunto, - mais uma porta foi aberta.
Uma oportunidade concreta, real e itinerante do cotidiano juvenil de ensinar responsabilidades, coerência, respeito e ética.
O saber lidar e conviver com as novas tecnologias.
Nada mais elementar e natural do que ter tempo e lugar para se fazer as coisas.
É aí onde o educador deve se concentrar.
Isto não dá trabalho. Isto também é o trabalho.
Celulares e players de música nunca estiveram proibidos em minhas aulas.
Eles simplesmente são incompatíveis com a concentração em uma leitura ou na exposição de uma matéria. É isso o que lhes informo.
O uso coerente, responsável e equilibrado é o que deve ser priorizado.

E já não é de hoje que as tais caixinhas
com telefone, mp3, máquinas fotográficas,
filmadoras e gravadores de sons e acesso à
internet cabem na palma da mão.
