Cá pra nós:
Semaninha bem chata esta.
Meu dever profissional, o qual faço com prazer - diga-se de passagem, pelo menos até que alguma turma manisfeste sua síndrome da última aula de sexta, num rompente de gritaria coletiva - me obriga a ficar minimamente bem informado.
Notícias políticas ocupam grande parte disso.
Mas esta semana está difícil.
Ter que se informar com qualidade sobre acontecimentos forjados, cheios de interesses e nada sinceros pode estressar.
Greve na USP: política.
Operação padrão da Polícia Federal: política.
CPI do apagão aéreo: política.
O carro que bate na marginal - cheio de propinas para delegados: a parte física e logística da política.
Um punhado de sem-terras invadindo a quarta maior hidrelétrica do mundo: comédia e política
E deixa esse caso Gautama pra lá...
Ler notícias é uma coisa. Ler notícias, decodificá-las e imaginar o que elas querem dizer, a quem servem e qual é realmente a verdade é outra coisa bem diferente.
E trabalhosa.
É a tal da formação de opinião.
Antes de preocupar-se com a sua própria opinião é cada vez mais ardoroso descontruir a opinião que gente interessada e mal intencionada quer empurrar-lhe goela abaixo.
E esses últimos dias tem sido uma overdose de amoralidade ética e política cuidadosamente manipulada nos noticiários televisivos e artigos de jornal.
Overdose, pois simplesmente não fomos feitos para conviver com esse tipo de coisa.
Eu, apolítico que sou, talvez perceba com uma clareza sui generis a orquestração que aí está:
A classe média e alta cada vez mais atônita com o sucesso internacional e entre as massas do atual governo deste país.
Alguma forma de bagunça coletiva está sendo ensaiada contra o que está aí.
Mas tudo isso é apenas a normalidade do sistema, só inverteram-se os papéis.
sábado, 26 de maio de 2007
sábado, 19 de maio de 2007
Celulares, players, e outras bugigangas
Estes pequenos frutos destas novas tecnologias, verdadeiras pragas destes dias, às vezes parecerem se reproduzir literalmente - através de alguma possível relação eletrônica via bluetooth - dentro das salas de aula.
Muito barulho desnecessário, esse do celular em sala de aula.
Para mim, sempre foi muito claro.
Não dá para negar a tecnologia.
Banir o uso, a posse ou 'criminalizar' o simples ato de falar ao telefone ou ouvir uma música é uma forma de estrabismo educacional.
A discussão não é essa.
A maioria de meus pares - professores e educadores - parecem não se dar conta disso.
Seria um resquício de tempos ditatoriais?
Essa situação de banimento, negação e punição afloram facilmente em situações assim - de encontro com o novo.
Novo que que surge em intervalos cada vez menores.
Tecnologias que até há pouco tempo atrás demoravam alguns bons pares de anos para serem superadas e substituídas, hoje tornam-se 'obsoletas' em questão de meses.
O comportamento social - principalmente o do adolescente - tenta acompanhar este rítmo de intensa mudança, gosto pelo novo e pelas novas possibilidades; muitas delas tão prazeirosas e práticas quanto fugazes.
Acredito que esta suposta vantagem e facilidade juvenil, em acompanhar as tais mudanças, cobrará seu preço na forma de algum stress ou incapacidade presente e futura, seja na dificuldade de concentração, de planejamento ou de concretização do que quer que seja.
Mas, voltando ao assunto, - mais uma porta foi aberta.
Uma oportunidade concreta, real e itinerante do cotidiano juvenil de ensinar responsabilidades, coerência, respeito e ética.
O saber lidar e conviver com as novas tecnologias.
Nada mais elementar e natural do que ter tempo e lugar para se fazer as coisas.
É aí onde o educador deve se concentrar.
Isto não dá trabalho. Isto também é o trabalho.
Celulares e players de música nunca estiveram proibidos em minhas aulas.
Eles simplesmente são incompatíveis com a concentração em uma leitura ou na exposição de uma matéria. É isso o que lhes informo.
O uso coerente, responsável e equilibrado é o que deve ser priorizado.

E já não é de hoje que as tais caixinhas
com telefone, mp3, máquinas fotográficas,
filmadoras e gravadores de sons e acesso à
internet cabem na palma da mão.
Muito barulho desnecessário, esse do celular em sala de aula.
Para mim, sempre foi muito claro.
Não dá para negar a tecnologia.
Banir o uso, a posse ou 'criminalizar' o simples ato de falar ao telefone ou ouvir uma música é uma forma de estrabismo educacional.
A discussão não é essa.
A maioria de meus pares - professores e educadores - parecem não se dar conta disso.
Seria um resquício de tempos ditatoriais?
Essa situação de banimento, negação e punição afloram facilmente em situações assim - de encontro com o novo.
Novo que que surge em intervalos cada vez menores.
Tecnologias que até há pouco tempo atrás demoravam alguns bons pares de anos para serem superadas e substituídas, hoje tornam-se 'obsoletas' em questão de meses.
O comportamento social - principalmente o do adolescente - tenta acompanhar este rítmo de intensa mudança, gosto pelo novo e pelas novas possibilidades; muitas delas tão prazeirosas e práticas quanto fugazes.
Acredito que esta suposta vantagem e facilidade juvenil, em acompanhar as tais mudanças, cobrará seu preço na forma de algum stress ou incapacidade presente e futura, seja na dificuldade de concentração, de planejamento ou de concretização do que quer que seja.
Mas, voltando ao assunto, - mais uma porta foi aberta.
Uma oportunidade concreta, real e itinerante do cotidiano juvenil de ensinar responsabilidades, coerência, respeito e ética.
O saber lidar e conviver com as novas tecnologias.
Nada mais elementar e natural do que ter tempo e lugar para se fazer as coisas.
É aí onde o educador deve se concentrar.
Isto não dá trabalho. Isto também é o trabalho.
Celulares e players de música nunca estiveram proibidos em minhas aulas.
Eles simplesmente são incompatíveis com a concentração em uma leitura ou na exposição de uma matéria. É isso o que lhes informo.
O uso coerente, responsável e equilibrado é o que deve ser priorizado.

E já não é de hoje que as tais caixinhas
com telefone, mp3, máquinas fotográficas,
filmadoras e gravadores de sons e acesso à
internet cabem na palma da mão.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
O que faz a gente gostar de uma música?
Deve ter algo haver com as sensações despertadas pelo que se passou, de bom ou ruim, em algum lugar.
Cheiros, sons, imagens... a composição disso tudo associado a uma música.
Depois de algumas semanas, meses ou mesmo anos, você escuta a mesma música, ou mesmo algum acorde ou tom que lembre a tal música e... bingo!
Algo desperta e você diz: “Essa música é muito boa!”.
Somente num segundo momento talvez se perceba as qualidades ‘reais’ ou técnicas de uma boa melodia (ou a falta disto).
Pode ser por isso que se diga ‘gosto não se discute’:
Estas sensações, a maneira e o momento de se percebê-las são intrinsecamente individuais.
Aqueles pelinhos no braço que se arrepiam quando se escuta determinado acorde ou batida, é só seu.
É por essa e outras que gosto de Everything But The Girl.
É porque em dezembro de 1996 minhas coordenadas geográficas eram as mesmas que as de dois amigos, um do meu bairro, o outro de Londres, e também as mesmas de um Fiat Uno com dois recrutas do exército – passando por uma estrada costeira, junto às praias quase desertas ao sul de Ilhéus, no litoral baiano.
Os dois estavam levando o automóvel para o Rio de Janeiro.
Nós três - apenas de carona nos divertindo por aquelas latitudes.
O som que tocava no automóvel era ‘Missing’, do Everything But The Girl.
Lembro bem que a conjunção daquela música e daquela paisagem me deixou acima do chão.
Era uma luz forte, de verão, entrecortada por sombras de coqueiros, à medida que o carro passava.
Do outro lado, era o quase total ofuscamento pelo brilho da areia e as pontadas de mais luz refletidas pelo mar.
São coisinhas rápidas, mas ficam para sempre.
Cheiros, sons, imagens... a composição disso tudo associado a uma música.
Depois de algumas semanas, meses ou mesmo anos, você escuta a mesma música, ou mesmo algum acorde ou tom que lembre a tal música e... bingo!
Algo desperta e você diz: “Essa música é muito boa!”.
Somente num segundo momento talvez se perceba as qualidades ‘reais’ ou técnicas de uma boa melodia (ou a falta disto).
Pode ser por isso que se diga ‘gosto não se discute’:
Estas sensações, a maneira e o momento de se percebê-las são intrinsecamente individuais.
Aqueles pelinhos no braço que se arrepiam quando se escuta determinado acorde ou batida, é só seu.
É por essa e outras que gosto de Everything But The Girl.
É porque em dezembro de 1996 minhas coordenadas geográficas eram as mesmas que as de dois amigos, um do meu bairro, o outro de Londres, e também as mesmas de um Fiat Uno com dois recrutas do exército – passando por uma estrada costeira, junto às praias quase desertas ao sul de Ilhéus, no litoral baiano.
Os dois estavam levando o automóvel para o Rio de Janeiro.
Nós três - apenas de carona nos divertindo por aquelas latitudes.
O som que tocava no automóvel era ‘Missing’, do Everything But The Girl.
Lembro bem que a conjunção daquela música e daquela paisagem me deixou acima do chão.
Era uma luz forte, de verão, entrecortada por sombras de coqueiros, à medida que o carro passava.
Do outro lado, era o quase total ofuscamento pelo brilho da areia e as pontadas de mais luz refletidas pelo mar.
São coisinhas rápidas, mas ficam para sempre.
sábado, 12 de maio de 2007
Música e o fator 'cabelos brancos'
Muitos dos meus pares, pessoal da minha geração, gente que nasceu no fim da década de 60 e começo da de 70, tem o hábito, salutar ou não, de ser fiel ás suas origens musicais.
Muito se fala em Doors, América, Rolling Stones, disco music, a onda new wave, punk, break e heavy metal. Isso sem falar nas baladonas anos 70 e 80 que hoje só dão as caras nas Antenas 1, Alphas e outras FMs para titios da vida.
A coisa é que durante o passar dos anos não perdi o costume de me atualizar, procurar coisas novas, estar aberto para novos sons, novas bandas.
Aí é que a pulga salta para atrás da minha orelha.
Me apanho, com alguma frequência, cantando no chuveiro, cantarolando com meu mp3 ou mesmo assistindo - empolgadamente - ao vivo shows de bandas com guitarristas, vocalistas, baixistas e bateristas mais jovens do que eu.
É estranho.
Dia desses falei sobre a estranheza de gostar muito do som dos rapazes do Mombojó e falar com os tais, frente à frente, e perceber que são garotos, quase pirralhos.
Ontem troquei dois emails com o Zeca Camargo (não é esnobice, apenas uma possibilidade destas novas tecnologias) sobre o assunto.
Me falou sobre a sensação incômoda de entrevistar os rapazes do 'Arctic Monkeys' - atuais fenômenos do rock inglês.
Talvez essa estranheza seja simplesmente o receio de parecer imaturo.
Mas, fazer o quê, se essa molecada (a minoria, é verdade) continua fazendo música de qualidade apesar de mal terem saído das fraldas.
Um paradoxo disso tudo chama-se Travis. Mais uma banda de jovens rapazes escoceses.
Mas aqui o som não é o rock rasgado, como o de Franz Ferdinand, ao menos não mais.
É balada atrás de balada.
Banjo, violões e guitarras redondinhas. Melodiosas... quase meladas.
Um som sensível, melancólico e jovem que quase serve para quem ouviu muito.... digamos....
os Eagles(!), por exemplo.
São o avesso desse papo chato.
Killers, Klaxons, os tais Franz Ferdinand, Fratellis, Kasabian e tantos outros são bem audíveis.
Mas Travis, Doves, Keane, Coldplay e Oasis fazem a ponte ideal com o passado. Falo de Echo, Simple Minds, Duran Duran, Smiths, Cure e adjacências.
E assim não há prisão com o passado.
Nem com o presente.
Melhor que seja assim.
No post anterior - link para o último trabalho do Travis. Agradavelmente o mais 'careta' de todos.
Muito se fala em Doors, América, Rolling Stones, disco music, a onda new wave, punk, break e heavy metal. Isso sem falar nas baladonas anos 70 e 80 que hoje só dão as caras nas Antenas 1, Alphas e outras FMs para titios da vida.
A coisa é que durante o passar dos anos não perdi o costume de me atualizar, procurar coisas novas, estar aberto para novos sons, novas bandas.
Aí é que a pulga salta para atrás da minha orelha.
Me apanho, com alguma frequência, cantando no chuveiro, cantarolando com meu mp3 ou mesmo assistindo - empolgadamente - ao vivo shows de bandas com guitarristas, vocalistas, baixistas e bateristas mais jovens do que eu.
É estranho.
Dia desses falei sobre a estranheza de gostar muito do som dos rapazes do Mombojó e falar com os tais, frente à frente, e perceber que são garotos, quase pirralhos.
Ontem troquei dois emails com o Zeca Camargo (não é esnobice, apenas uma possibilidade destas novas tecnologias) sobre o assunto.
Me falou sobre a sensação incômoda de entrevistar os rapazes do 'Arctic Monkeys' - atuais fenômenos do rock inglês.
Talvez essa estranheza seja simplesmente o receio de parecer imaturo.
Mas, fazer o quê, se essa molecada (a minoria, é verdade) continua fazendo música de qualidade apesar de mal terem saído das fraldas.
Um paradoxo disso tudo chama-se Travis. Mais uma banda de jovens rapazes escoceses.
Mas aqui o som não é o rock rasgado, como o de Franz Ferdinand, ao menos não mais.
É balada atrás de balada.
Banjo, violões e guitarras redondinhas. Melodiosas... quase meladas.
Um som sensível, melancólico e jovem que quase serve para quem ouviu muito.... digamos....
os Eagles(!), por exemplo.
São o avesso desse papo chato.
Killers, Klaxons, os tais Franz Ferdinand, Fratellis, Kasabian e tantos outros são bem audíveis.
Mas Travis, Doves, Keane, Coldplay e Oasis fazem a ponte ideal com o passado. Falo de Echo, Simple Minds, Duran Duran, Smiths, Cure e adjacências.
E assim não há prisão com o passado.
Nem com o presente.
Melhor que seja assim.
No post anterior - link para o último trabalho do Travis. Agradavelmente o mais 'careta' de todos.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
9 de Maio - Inverno
Já é inverno e eu tenho como provar.
Ponha o nariz lá fora.
Viu?
Ou melhor, sentiu?
- Dez graus centígrados.
Isso é inverno.
Ok, ok, vou apresentar provas mais consistentes:
Hoje eu tomei vinho tinto suave bem vagabundo, num copo americano, ao meio-dia, na padaria da esquina do colégio onde leciono.
Rapazes e moças! Eu só faço isso no inverno.
Não?
Certo.
Ok.
Chegar em casa. Tirar a calça, a camisa e tomar um banho refrescante.
Errado. Banho bem quente!
Camiseta, bermuda e papetes?
Errado.
Para ir ao mercado - calça de veludo, camisa de flanela e jaqueta.
Não? Como assim?
Deixa eu ver...
No meu player/mp3/essas coisas - estava tocando 'BITTER SWEET SYMPHONY' do VERVE - enquanto andava na calçada deserta com aquelas gotículas frias mais leves que o ar pousando sobre o meu nariz.
Viu?
Não falei?
É inverno!

Nove de maio - noite fria.
Ponha o nariz lá fora.
Viu?
Ou melhor, sentiu?
- Dez graus centígrados.
Isso é inverno.
Ok, ok, vou apresentar provas mais consistentes:
Hoje eu tomei vinho tinto suave bem vagabundo, num copo americano, ao meio-dia, na padaria da esquina do colégio onde leciono.
Rapazes e moças! Eu só faço isso no inverno.
Não?
Certo.
Ok.
Chegar em casa. Tirar a calça, a camisa e tomar um banho refrescante.
Errado. Banho bem quente!
Camiseta, bermuda e papetes?
Errado.
Para ir ao mercado - calça de veludo, camisa de flanela e jaqueta.
Não? Como assim?
Deixa eu ver...
No meu player/mp3/essas coisas - estava tocando 'BITTER SWEET SYMPHONY' do VERVE - enquanto andava na calçada deserta com aquelas gotículas frias mais leves que o ar pousando sobre o meu nariz.
Viu?
Não falei?
É inverno!

Nove de maio - noite fria.
Largo São Bento
Sempre que posso ando pelas ruas do centro velho de São Paulo. Muitas vezes por necessidades mercantis, outras por prazer, mas a maioria pelos dois motivos.
Aquilo é uma escola viva.
Muitos cheiros, sons e imagens.
Muita ação também não falta, com toques de humor negro e suspense. De drama nem se fala.
Naquele zoológico humano há gente de tudo quanto é tipo fazendo tudo quanto é coisa para sobreviver.
Os engravatados metidos a donos de tudo e de todos da Rua Boa Vista e adjacências estão sempre lá. Impecáveis com seus celulares de ultíssima geração e papo furado de pseudo-executivos (os executivos são piores).
Mas a fartura em exemplares desta fauna fica por conta dos indefectíveis camelôs, com suas cantorias, bugigangas, fino trato com o cliente e muito bom humor.
Até chegar o rapa.
Aí a festa é geral.
As bugigangas, que segundos antes repousavam confortavelmente num tecido qualquer sobre o belíssimo piso do Viaduto do Chá, agora estão descendo a ladeira rumo a 25 de março no lombo de seus possuidores.
É tudo muito rápido, dramático, tenso, nervoso... engraçado. Para quem está de fora.
Ou melhor, para quem faz parte daquilo como mero consumidor e observador.
Os próprios informais acham graça. Então, não me contranjo em rir - internamente, é claro.
São brasileiros típicos aqueles.
E isso é bom de ver.
As coisas como elas são.
Sem máscaras, photoshop ou encenações teatrais e ostentosas daqueles da Boa Vista.
Hoje, agora mesmo, essa fauna urbana não está funcionando. Pelo menos em sua normalidade.
Faz frio: 10°C.
O Papa está olhando para aquele piso, num púlpito do Mosteiro São Bento.
Sobre o piso são milhares se espremendo na garôa, ocupando cada centímetro daqueles ladrilhos para reverenciar seu ídolo.
Talvez os camelôs também estejam lá, vendendo alguma água sagrada.
Hoje não tem rapa.

Largo São Bento, hoje à tarde. Fonte: FSP.
Aquilo é uma escola viva.
Muitos cheiros, sons e imagens.
Muita ação também não falta, com toques de humor negro e suspense. De drama nem se fala.
Naquele zoológico humano há gente de tudo quanto é tipo fazendo tudo quanto é coisa para sobreviver.
Os engravatados metidos a donos de tudo e de todos da Rua Boa Vista e adjacências estão sempre lá. Impecáveis com seus celulares de ultíssima geração e papo furado de pseudo-executivos (os executivos são piores).
Mas a fartura em exemplares desta fauna fica por conta dos indefectíveis camelôs, com suas cantorias, bugigangas, fino trato com o cliente e muito bom humor.
Até chegar o rapa.
Aí a festa é geral.
As bugigangas, que segundos antes repousavam confortavelmente num tecido qualquer sobre o belíssimo piso do Viaduto do Chá, agora estão descendo a ladeira rumo a 25 de março no lombo de seus possuidores.
É tudo muito rápido, dramático, tenso, nervoso... engraçado. Para quem está de fora.
Ou melhor, para quem faz parte daquilo como mero consumidor e observador.
Os próprios informais acham graça. Então, não me contranjo em rir - internamente, é claro.
São brasileiros típicos aqueles.
E isso é bom de ver.
As coisas como elas são.
Sem máscaras, photoshop ou encenações teatrais e ostentosas daqueles da Boa Vista.
Hoje, agora mesmo, essa fauna urbana não está funcionando. Pelo menos em sua normalidade.
Faz frio: 10°C.
O Papa está olhando para aquele piso, num púlpito do Mosteiro São Bento.
Sobre o piso são milhares se espremendo na garôa, ocupando cada centímetro daqueles ladrilhos para reverenciar seu ídolo.
Talvez os camelôs também estejam lá, vendendo alguma água sagrada.
Hoje não tem rapa.

Largo São Bento, hoje à tarde. Fonte: FSP.
domingo, 6 de maio de 2007
Eleições francesas
Sarkozy venceu na França.
E o mundo?
Sarkozy no poder representa a maior parte do povo francês sentindo-se mais seguro, melhor representado em seus interesses, mais enviesado com o modelo que domina a economia global atual.
Sarkozy no poder significa a França finalmente totalmente alinhada aos interesses norte-americanos; talvez a maior aproximação do pós-segunda guerra mundial.
Sarkozy no poder pode significar maior intolerância religiosa, e até racial.
Sarkozy no poder pode significar um redirecionamento europeu às pólíticas norte-americanas dos últimos anos - falo de globalização, guerras preventivas, ataque ao terror associado as restrições civis. Liberdade de expressão controlada, essas coisas...
Nada surpreendente. Tudo de acordo com as rescentes tendências políticas-econômicas mundiais.
O futuro?
Mais guerras, intolerância, nacionalismos e conflitos internos.
É isso.
E o mundo?
Sarkozy no poder representa a maior parte do povo francês sentindo-se mais seguro, melhor representado em seus interesses, mais enviesado com o modelo que domina a economia global atual.
Sarkozy no poder significa a França finalmente totalmente alinhada aos interesses norte-americanos; talvez a maior aproximação do pós-segunda guerra mundial.
Sarkozy no poder pode significar maior intolerância religiosa, e até racial.
Sarkozy no poder pode significar um redirecionamento europeu às pólíticas norte-americanas dos últimos anos - falo de globalização, guerras preventivas, ataque ao terror associado as restrições civis. Liberdade de expressão controlada, essas coisas...
Nada surpreendente. Tudo de acordo com as rescentes tendências políticas-econômicas mundiais.
O futuro?
Mais guerras, intolerância, nacionalismos e conflitos internos.
É isso.
Futebolgrana
Campeonato Alemão,
Campeonato Francês,
Campeonato Português,
Campeonato Italiano,
Campeonato Espanhol,
Campeonato Inglês,
Final do Paulistão,
Final do Paulista Série B,
Finais do Nacional de Futsal e até algumas partidas de 'Showbol' - um futebol society, onde não há bola fora e interrupções de jogo.
Tudo isso na minha telelinha mas,
simplesmente dispertam pouco ou nenhum interesse.
O que eu quero ver é a final do Carioca.
Flamento x Botafogo,
Maracanã cheio,
jogo final e decisivo e muita emoção, mas...
...não haverá transmissão para São Paulo...
...a menos que você tenha 49,90 reais mensais
(além dos mais de cem já pagos)
para queimar - indescentemente - em P-a-y-P-e-r-V-i-e-w...
Lastimável...
Campeonato Francês,
Campeonato Português,
Campeonato Italiano,
Campeonato Espanhol,
Campeonato Inglês,
Final do Paulistão,
Final do Paulista Série B,
Finais do Nacional de Futsal e até algumas partidas de 'Showbol' - um futebol society, onde não há bola fora e interrupções de jogo.
Tudo isso na minha telelinha mas,
simplesmente dispertam pouco ou nenhum interesse.
O que eu quero ver é a final do Carioca.
Flamento x Botafogo,
Maracanã cheio,
jogo final e decisivo e muita emoção, mas...
...não haverá transmissão para São Paulo...
...a menos que você tenha 49,90 reais mensais
(além dos mais de cem já pagos)
para queimar - indescentemente - em P-a-y-P-e-r-V-i-e-w...
Lastimável...
sábado, 5 de maio de 2007
Jogos e games
Esse negócio de tecnologia digital realmente impressiona.
É o mundo dos Jetsons.
É cada vez mais parecida a imagem de um game de futebol jogado num Playstation 2 e a imagem ao vivo de um jogo qualquer transmitido por uma tv à cabo com tecnologia digital.
Não só pelo avanço dos games, com imagens cada vez mais reais; mas também pela definição de som e imagens cada vez mais nítidas - beirando o híper-realismo - das transmissões ao vivo de tv; principalmente dos eventos esportivos.
Essa é uma relação perigosa, onde o real e o virtual cada vez mais se confundem.
Corremos o risco de achar que pernas quebradas em jogos de futebol verdadeiros são apenas parte de um jogo de computador.
E isso, para ficar apenas no esporte.
A espetacularização da violência nos filmes, remetidas a meras histórias em quadrinhos, também é chocante.
Essa aproximação entre o real e o virtual tende a relativizar cada vez mais a realidade, insensibilizando-a.
E esta banalização da realidade não pode e nunca será algo bom.


É o mundo dos Jetsons.
É cada vez mais parecida a imagem de um game de futebol jogado num Playstation 2 e a imagem ao vivo de um jogo qualquer transmitido por uma tv à cabo com tecnologia digital.
Não só pelo avanço dos games, com imagens cada vez mais reais; mas também pela definição de som e imagens cada vez mais nítidas - beirando o híper-realismo - das transmissões ao vivo de tv; principalmente dos eventos esportivos.
Essa é uma relação perigosa, onde o real e o virtual cada vez mais se confundem.
Corremos o risco de achar que pernas quebradas em jogos de futebol verdadeiros são apenas parte de um jogo de computador.
E isso, para ficar apenas no esporte.
A espetacularização da violência nos filmes, remetidas a meras histórias em quadrinhos, também é chocante.
Essa aproximação entre o real e o virtual tende a relativizar cada vez mais a realidade, insensibilizando-a.
E esta banalização da realidade não pode e nunca será algo bom.


quarta-feira, 2 de maio de 2007
Futebór
Milan x Manchester agora, São Paulo x Grêmio à noite.
Nada mal.
Para quem gosta de futebol.
Eu seria Manchester, não fosse 1999.
O jogo da noite parece ser realmente bom.
Nada mal.
Para quem gosta de futebol.
Eu seria Manchester, não fosse 1999.
O jogo da noite parece ser realmente bom.
Um jogo ideal para confirmar a decadência (enfim!) tricolor.
Como ando dizendo, tudo é cíclico.
O ciclo tricolor parece estar chegando ao fim.
Como ando dizendo, tudo é cíclico.
O ciclo tricolor parece estar chegando ao fim.
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